Entrevista com a Autora e Ilustradora - Patrícia L. Boos


Bom dia gente!


O Café voltou com tudo! Hoje vou apresentar para vocês a Patrícia L. Boos, ela é ilustradora e autora também, então aproveitei para tirar várias dúvidas que tinha sobre o processo de ilustração de um livro e também sobre o processo criativo dela. Seu livro Yes, My Lady será lançado pela editora Multifoco e espero poder trazer mais informações sobre ele também!


1. Quando começou a desenhar?

Eu comecei desenhando por mim mesma quando tinha uns 11 ou 12 anos, coisas relacionadas normalmente a animes que na época era o que mais gostava. Eu não tinha técnica, nem noções de proporção, mas muita força de vontade.


Pirei quando vi que um garoto que estudava comigo desenhava e fazia curso numa escola aqui na minha cidade. Ele me deu o endereço e não deixei meus pais descansarem até fazerem a minha matrícula.


Obviamente eu me foquei mais no mangá, que era o que mais gostava, mas apesar disso aprendi como mexer com tintas, a como fazer um desenho realista, giz, lápis de cor, vários tipos de papel, etc.


Durante o curso eu conheci o meu agora marido Yan, e descobri que ele também era desenhista. Daí em diante, começamos a namorar e a desenhar juntos.


2. Você comentou que seu primeiro projeto foi Heaven or Hell, como foi começar esse projeto em conjunto? Vocês concordavam com pontos de enredo e traço, ou cada um tinha uma função?

Foi muito empolgante sinceramente, eu nunca tinha feito nada parecido e para mim, a ideia de publicar um mangá de nossa autoria era surreal!


Éramos muito bem organizados. No geral, ambos fazíamos de tudo, porém separadamente, ora eu desenhava e ele aplicava a arte final (tinta nanquin, contornos, etc.) ora eu aplicava a arte final e ele desenhava.


Nosso traço era muito parecido na época, quase não tinha diferença então mal se podia notar quando cada um desenhava.


Em relação ao enredo, originalmente a história veio com ele e eu acrescentei, mas sempre concordávamos, pensávamos juntos e discutíamos no que melhor se encaixaria em cada situação

3. Red Velvet é o mangá mais recente que está fazendo com o Yan, certo? Pode nos falar um pouco mais sobre o projeto?

Posso falar pouca coisa sobre ele por que como vai ser refeito, ainda estamos produzindo o roteiro.


Entretanto, se trata de um mangá onde existe o “mundo real” e o “submundo”. No mundo real temos a detetive policial Roselly Turner.


Ela atua em Hell’s Kitchen, uma cidade que faz jus a seu nome pela quantidade de crimes.

No início foi difícil para ela lidar com todo o tumulto, mas hoje em dia, depois de passar por poucas e boas, Roselly já é acostumada com seu cotidiano de violência nas ruas.


Algo problemático acontece e nesta situação de desespero ela conhece Edward Frost, um advogado renomado que se comporta como um cavalheiro vitoriano, mas que esconde um segredo mortal.


Se ele veio para somar ou subtrair, te conto assim que tivermos o mangá em mãos, assim como para quem mais quiser saber <3


4. Você tem alguma dificuldade na hora de desenhar? Alguma parte do corpo que não gosta muito, por exemplo.

Minhas maiores dificuldades foram mãos e corpo, mas com um tempo, esforço e a ajuda do meu namorado que me apoiou e ensinou tudo o que sabia eu superei essas dificuldades e hoje em dia estou melhorando cada dia mais. Sempre tem algo a ser melhorado, técnicas novas, o traço sempre vai mudando, cores, cenários e por aí vai!


5. Como você começou a ilustrar livros?

Em 2016 conheci pessoas novas no Facebook, autores de livros muito maravilhosos. No inicio, eu me lembro de ter pedido ajuda delas com a divulgação da página do meu livro que era novo. Elas me ajudaram e cuidaram muito bem de mim. Para agradecer, não que fosse muito, fiz pequenas caricaturas delas ou então fazia desenhos dos personagens delas, os que se tornaram muito especiais para mim. Foi assim que fui ganhando o carinho e a admiração de alguns autores.


6. Como é o processo da ilustração de um livro, você lê o livro para conhecer as características do personagem?

Sinceramente não vou mentir que não tenho tempo de ler o livro inteiro para depois começar as encomendas. São livros muito especiais então não gosto de lê-los “correndo”.

O que prefiro fazer é pedir para o pessoal me mandar o que quer, as características dos personagens, a idade e de preferência a personalidade de cada um para que as expressões estejam de acordo com cada personagem. Assim demoro bem menos e posso caprichar mais no desenvolvimento.


7. O que desenhar significa pra você?

A arte para mim é uma coisa maravilhosa, uma coisa que eu não me arrependo nunca de ter corrido atrás para conseguir. Quando desenho, sinto coisas inimagináveis, é um sentimento que preenche e aquece meu coração de uma forma que mal consigo explicar. Acho que eu nasci para ser desenhista e de qualquer forma eu teria me tornado uma ilustradora, por força do destino, por vontade, por qualquer motivo.


8. E a escrita, quando surgiu na sua vida?

Desde os 12 anos eu já escrevia histórias sobre meus próprios personagens (Temos mais de 10 casais), inclusive, meu livro atual era uma fanfic quando decidi transformá-lo em livro. Em 2015 decidi transformar aquela fanfic engavetada em um livro que hoje se chama Yes, My Lady. Levei um ano de muita enrolação para escrevê-lo.


9. Você acha que os mangás que escreveu e ilustrou foram como uma porta de entrada para a literatura?

Hmm, acho que não podem ser considerados como meu pontapé inicial, por que eu iniciei minha paixão pela literatura por meio de livros. Entretanto, posso afirmar com toda a certeza de que eles me firmaram muito nesse mundo e me fizeram ser cada vez mais criativa.

10. Quais as principais dificuldades entre escrever um enredo de mangá e de um livro?

Apesar de ser muito gostoso escrever/desenhar ambos, acho livro um pouquinho mais complexo. Veja bem, no mangá, podemos inverter um texto de muitas linhas por uma única expressão no rosto do personagem ou com uma ação, que no livro seria detalhadamente descrita.


11. Pode falar um pouco sobre a história do seu livro pra gente?

Claro! É um romance vitoriano que conta a história de uma moça que perdeu a mãe ainda quando criança e desse dia em diante passou a viver com o padrasto que a maltrata muito.

Num momento de total imprudência, ela contrata um mordomo ao invés de uma maid e isto lhe causa muito sofrimento. Seu padrasto não deixa barato.


Mesmo com muitos contratempos e brigas o mordomo permanece trabalhando para ela.

Não demora muito para que Patrícia se apaixone por ele e com toda certeza não é correspondida, pois o mordomo é cego pelas regras que seu trabalho lhe impõe.


Em poucas, mas significativas palavras, em Yes, My Lady os leitores vão encontrar muito mistério, egoísmo, tristeza, sabotagem, redenção, paixão, crueldade, risos, amor e complicações.


Uma luta constante contra os sentimentos que insistem em querer atenção mesmo quando impossíveis.


O destino se encarrega de tudo.

Ele dita as regras do jogo.

E os jogadores não têm escolha a não ser jogar.


12. De onde surgiu o título?

Yes, My Lady nasceu de uma simples conversa e de uma simples frase: “Yes, My Lady”, meu marido me disse isso e foi como se tudo brotasse na minha cabeça. Ele é a razão por esta história existir e a mesma é um presente que fiz, por que ela é dele e só existe por que ele faz parte da minha vida. Ele é o meu belo mordomo.


13. Como é o mundo literário pra você?

O mundo literário é algo um pouco complicado, de tempos em tempos coisas são acrescentadas e as vezes me perco em tantas coisas a fazer, mas a leitura, a escrita, sempre fizeram parte da minha vida. Eu sempre amei ler e serei apaixonada por livros pela eternidade, com certeza.


Para finalizar a entrevista, gostaria muito de agradecer ao Café de autores, à Vitória e a Dáf, minhas lindas amigas por terem me dado essa oportunidade. Não só por quererem saber mais sobre minha vida de autora, mas pela minha metade ilustradora também <3

Foi um prazer enorme responder a essas perguntinhas feitas por pessoas que admiro tanto.


Agradeço de coração a todas vocês, muito obrigada pela divulgação e o interesse.

Espero ter sanado algumas dúvidas e quem tiver mais, estarei à disposição para o que precisar!


Vocês podem acompanhar o trabalho da Patrícia nas redes sociais, clicando aqui.



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