Sobre filmes que contam sobre livros...


Olá pessoas!

Eu sou uma apaixonada por cinema, e por livros também (e por música e arte, mas não vem ao caso agora rs), então por que não fazer um post juntando as duas coisas?


Pra fazer esse post eu resolvi abordar o tema de forma diferente. Ao invés de falar sobre livros que viraram filme, resolvi abordar filmes que mostram "literalmente" a interação dos livros com os leitores ou escritores. Acho que esse é um dos sonhos de quem lê ou escreve, não é mesmo? Poder interagir de verdade com a história! Não seria demais? Então chega de blá-blá-blá e vamos ao que interessa... =)


A História sem Fim

Esse clássico de 1984 (sim, sou velha e gosto de filmes e livros velhos também... rs), foi um dos primeiros filmes que me encantaram. E se você não assistiu, procure na internet ou em sebos, e se achar, vale muito a pena assistir. O filme foi inspirado no livro de mesmo nome, do autor alemão Michael Ende (e pasmem: ele não gostou do resultado. Fico imaginando como seria muito mais incrível se ele tivesse gostado!) e conta a história de Sebastian, um garoto com uma imaginação e tanto. Ele usa isso como refúgio para os problemas que tem no colégio e na vida. Um dia ele entra numa livraria e o proprietário apresenta esse livro a ele, e o classifica como perigoso. Sebastian obviamente fica muito mais curioso pra ler o tal livro e o pega "emprestado" sem que o homem perceba. Após fugir de uma briga no colégio, ele se tranca em um armário e começa a ler o livro, para tentar escapar de seus problemas mergulhando naquele universo novo. O livro conta a história de Fantasia, um mundo mágico que está sendo engolido por uma força maligna chamada "Nada". Sentiram a indireta? A Fantasia está sendo engolida pelo Nada... É uma crítica enorme para as crianças que já estavam caminhando para caminhos onde a imaginação não poderia alcançá-las, Genial. Mas enfim... Enquanto ele lê as aventuras de Atreyu, um jovem que buscava uma solução para esse problema, qual não é a sua surpresa ao descobrir que o herói que poderia salvar Fantasia era ele mesmo? Sim! O livro diz isso a ele com todas as palavras, numa cena bem emocionante até, e de repente, esse moço que usava a imaginação para fugir se vê diante de um mundo inteiro que depende só dele e da sua imaginação. Assistam, Apesar dos efeitos especiais e sonoplastia serem meio estranhos (comparados ao que temos hoje em dia), vale muito a pena. Aqui embaixo estou deixando o trailer pra quem quiser entender um pouco mais as aventuras pelas quais Atreyu e Sebastian vão passar.


Em Busca da Terra do Nunca

Esse filme, de 2004, é inspirado na história de J. M. Barrie, autor de uma das minhas histórias favoritas: Peter Pan (por que será?). E como se não bastasse a história ser uma das minhas favoritas, quem interpreta o Barrie é ninguém menos do que Johnny Depp. O filme conta a história do escritor, e de como ele se inspirou e escreveu a peça sobre o rapaz que nunca iria crescer. Barrie era autor de peças teatrais e estava tendo dificuldades com a aceitação de sua última peça. Em busca de inspiração, ele conhece a família Davies (Sylvia, a mãe, e seus quatro filhos). Um dos meninos é Peter, o mais novo. Incrivelmente, Peter, não tem imaginação. Na verdade ele tinha, mas devido aos problemas pelos quais a família passou, ele deixou de gostar da sensação de imaginar coisas. Achava aquilo uma tolice e um refúgio que não poderia protegê-lo da realidade. Pare pra pensar: quanta gente assim você conhece? Posso listar algumas pessoas... Por fim, Barrie fica amigo da família, e como um bom autor, decide mostrar à Peter que a imaginação é algo muito bom, e que ele não deve se privar disso por conta das coisas ruins que acontecem em sua vida. O filme mescla as cenas do dia a dia com as cenas da imaginação do autor, o que é um recurso muito bacana. A linha tênue que divide a realidade da imaginação é mostrada com uma delicadeza incrível, afinal, é só uma questão de ponto de vista. No final há uma cena de partir o coração, claro, assista com lencinhos ao lado. E ao mesmo tempo em que é a cena mais triste do filme, é também uma das mais lindas exatamente por isso. É a tristeza sendo mostrada de forma lúdica, e não melancólica. Você nunca mais vai enxergar Peter Pan da mesma maneira depois de ver esse filme. Aqui tem o trailer pra deixar o gostinho:


Mais Estranho que a Ficção.

Esse filme de 2007, parece bem sem sal nem açúcar no começo. Maaas.... Como escritora, eu vi as possibilidades dele. =) O filme em si é bem "ok". Conta a história de Harold Crick, um fiscal da Receita, encarregado de fazer auditorias em empresas que não pagam os impostos em dia. Ele é extremamente metódico e tem uma vida daquelas beeeeeeeem chatas. O filme começa narrando o dia dele... bem ao estilo narrador de livro sobre o cotidiano. Paralelamente à história chatíssima de Harold Crick, temos uma segunda história no filme, que é sobre uma autora chamada Karen Eiffel. Ela está passando por um bloqueio e não consegue finalizar seu livro. Karen está com um problema muito comum entre os autores mais sanguinários (tipo eu): como matar o personagem principal? Se você for atento como eu fui, vai sacar de cara qual é a situação: Karen é a autora, e Harold Crick é o seu personagem. Não é spoiler porque isso você vai pegar nos primeiros 15 minutos de filme. A voz que narra a vida dele é a da Karen, e nas cenas que ela aparece não há narração, então a dedução é muito óbvia (bem, pelo menos pra mim foi). A grande sacada desse filme é que, de repente, Harold começa a ouvir a narração da sua vida. Pensa na esquisitice desse filme (bem do tipo que eu gosto!). O personagem começa a ouvir a voz que narra tudo que ele faz, conta como ele se sente e tudo mais. Ele começa a achar que está maluco, é claro. E pra piorar tudo, quando ele já está pirando, a voz da narradora diz que ele vai morrer. Gostei muito de como os temas foram abordados. Com uma objetividade enorme, que beira o ridículo, chega a ser engraçado por tratar assuntos tão estranhos de uma maneira tão ordinária e comum, como se fosse muito óbvio. Por fim, Harold Crick existe de verdade, e Karen de uma certa forma se "apossa" da vida dele quando começa a escrever o seu livro, mesmo sem saber. Então agora o personagem principal precisa encontrar a autora antes que ela decida como matá-lo. Do ponto de vista de uma autora isso seria, no mínimo, muito bizarro. Já pensou se os personagens que eu decido matar resolvem aparecer na minha porta pra pedir pra não morrer? Gente, ia ser o fim das mortes de personagens literários! hahahaha Vale a pena assistir por conta dessas situações. Pra mim, a autora (Karen Eiffel, interpretada pela Emma Thompson), e o personagem do Dustin Hoffman são os melhores. Confere o trailer abaixo:



Ruby Sparks - A Namorada Perfeita

Pra finalizar eu escolhi esse que é um dos meus favoritos ever! Este é um filme mais recente, de 2012. Nesse filme, Calvin é um autor de romances que estourou de vender logo no primeiro livro. Por conta disso, a pressão em cima do seu segundo livro era enorme! E se não fosse tão bom quanto o primeiro? E então ele vem: o bloqueio. Ele não consegue desenvolver o seu segundo livro. Como se não bastasse, ele é largado pela sua namorada, e como todo bom moço tímido e romântico, ele se vê num mundo deserto e frio. Calvin decide então, escrever uma história sobre uma moça idealizada, que seria a sua namorada perfeita, e acaba se apaixonando pela personagem que criou (quem nunca?). E para sua grande surpresa, ela simplesmente aparece em sua casa. NÃO É UM SONHO???? Já pensou se o seu crush literário simplesmente bate à sua porta procurando por você??? Cara... Esse filme é bom, mas as coisas que ele inspira são melhores ainda. Fiquei horas pensando em como seria se um dos personagens do meu livro simplesmente aparecessem e fossem reais. O filme é um romance desses bobinhos, mas que são super gostosos de assistir, mas as possibilidades exploradas dentro desse filme são incríveis pra mim (principalmente como autora). Bem... pra finalizar, Ruby não sabe que é uma personagem de um livro escrito por Calvin, então ela tem uma personalidade própria, mas Calvin consegue mudá-la de acordo com o que ele escreve. E claro, o relacionamento perfeito entre criador e obra acaba desandando, afinal, qual a graça de simplesmente ter o relacionamento e as emoções do parceiro em suas mãos (literalmente)? É uma das reflexões que eu peguei nas entrelinhas do filme. O estereótipo de relacionamento perfeito é colocado em jogo, Ruby, apesar de ser uma personagem, tem personalidade própria e nem sempre segue pelo caminho que Calvin gostaria. Ele pode escrever o que quiser e mudá-la como bem quiser, fazê-la mudar de opinião, fazê-la se comportar como ele quer... Mas vale a pena? Isso seria verdadeiro? Uma das cenas que mais gostei foi o confronto entre o personagem e o escritor no final, quando ambos têm que encarar a realidade. Foi uma cena muito bem construída na minha opinião, e triste, se quer saber. É um dos filmes que a gente assiste e sai acreditando que o amor é possível, principalmente com crushs literários... Aqui tem o trailer pra quem quiser saber um pouco mais:


Enfim, sei que o post foi longo, mas né? Não tem como não se alongar com esses temas!

Já assistiu ou assistiria algum desses filmes? Gostou? Deixa sua opinião! =)

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