Entrevista: Júlia de Oliveira, autora do livro "Como Folhas Secas"

Ooi gente!!


Antes de falar da autora entrevistada de hoje vou me apresentar rapidinho para vocês! Sou a Vitória Zavattieri do blog Corujas de Biblioteca e estou super animada com o novo site do Café de Autores, espero que gostem dos posts que farei todo mês aqui. Chega de enrolar e vamos conhecer a entrevistada.


A Júlia tem apenas 16 anos mas já publicou um livro pela editora Novo Século no selo Talentos da Literatura Brasileira, mas nada melhor do que ela mesma se apresentar para vocês e falar um pouco sobre o livro Como Folhas Secas.




1 - Fala um pouco de você, de onde você é? O que gosta de fazer?


Sou Júlia de Oliveira Santos Pereira, sim tenho um nome comprido que rima! Tenho dezesseis anos, sou de São Paulo SP, nasci e cresci aqui, onde ainda moro. Eu amo escrever (que surpresa!), amo mesmo. Ouvir música é mais que um hobbie, é uma terapia. A música me ajuda nos momentos que eu mais preciso. Amo ver séries, é tipo um vício, acompanho várias, mas poucas são as terminadas. Desenhar, ler, cantar, assistir filmes, passear com meus amigos são outras coisas com as quais ocupo meu tempo. Também vou à Igreja e dou aula para as crianças pequenas, simplesmente adoro isso.


2 - Você pode falar um pouco sobre o seu livro? Apresenta ele pra gente


Como Folhas Secas é um romance que pende ao drama como a maioria dos meus livros. É a história de uma garota que vive no interior de São Paulo nos anos 70 e tudo começa no dia em que ela conhece um menino vindo da cidade grande. Ana Carolina é a menina, dez anos, cercada de amor pelo pai, pela mãe e por toda a família, além de amigos, vizinhos, conhecidos, que sempre estão por perto. A visão de família que ela tem é de um grupo de pessoas que se amam infinitamente. Mas Antônio Guerra, vindo de São Paulo, acostumado com a vida corrida e agitada da metrópole, não conhece essa percepção de família. Para ele família é uma mãe problemática e um pai perturbado para quem o último dever de um pai é amar seu filho. Ana e Toni começam uma amizade cheia de carinho e cuidado que se desenvolve para sentimentos mais profundos e bonitos. O livro acompanha a vida deles, dos dez aos vinte e quatro anos de idade, alternando os narradores. O leitor pode acompanhar não só o desenvolvimento da história como dos próprios personagens. A história deles e os laços que criaram permanecem independente das escolhas que fazem no decorrer dos anos.



3 - De onde veio a ideia pro livro?


Foi muito do nada! Eu estava de bobeira no meu quarto numa madrugada de 2014 e sentei na escrivaninha de frente pra um diário inacabado. Meu diário era não mais que um caderno bonitinho, com muitas páginas em branco no fim. Peguei uma canta e comecei a escrever despretensiosamente numa das folhas. No fim da escrita eram doze páginas. Digitalizei o escrito e dei um tempo. Aos poucos as ideias iam vindo. Eu nunca escrevo de forma cronológica. Tenho uma ideia para o meio do livro, escrevo. Às vezes vem uma ideia por final e eu mal escrevi o começo, escrevo. É um pouco inconstante, mas muito divertido. Com esse livro foi assim. Conforme vinham os trechos eu escrevia, onde quer que fosse: num guardanapo, na prova de matemática, nos cadernos da escola... No final vejam só, saiu um livro!


4 - Você escreve ouvindo música? Tem algum ritual?


Música s-e-m-p-r-e. Geralmente pra escrever tem todo um cenário: o notebook na minha frente, uma caneca de leite do lado, os fones no ouvido, perninhas cruzadas na cadeira, uma musiquinha bonita tocando de fundo. Mas ai varia muito. Quando estou escrevendo uma cena muito triste, a “playlist da bad” é acionada. Quando é uma cena alegre são as músicas “pra cima”. Quando é uma cena tensa ponho as músicas de suspense. As melhores são trilhas sonoras instrumentais de filmes, são ótimas pra se ouvir em qualquer circunstância. Tem cada coisa maravilhosa que fica até difícil de escolher!


5 - Você é bem nova, então eu queria saber de onde veio a vontade de escrever? Sempre gostou de ler?


Eu escrevo desde pequena, do tipo bem pequena mesmo. Outro dia encontrei no meu armário algo um pouco mais recente, um grampeado de vinte páginas, uma história absolutamente tosca sobre uma boneca Hahaha mas impressionantemente ficou bacana. Tinha umas ilustrações que eu mesma fiz. Aquilo é de quando eu tinha onze anos. A história mais antiga que me lembro de escrever foi quando eu tinha oito anos. Era um arquivo digitalizado, trinta e cinto páginas e eu achava que era o maior arquivo do mundo. Quando se tem oito anos, trinta e cinco páginas parecem infinitas. Cruelmente, o computador deu um problema e eu perdi essa história. Meu coração nunca doeu tanto. Outro dia pensando na história me lembrei do que se tratava e conclui que eu era uma criança bem problemática Hahaha A história era muito triste! Quanto a ler, leio desde que sei juntar letras e formar palavras. Desde bem pequena meu pai dizia que ler antes de dormir ajudava a pegar no sono. Ele disse isso quando eu tinha seis anos. Mas ele estava errado: eu começava a ler e a última coisa que queria fazer era ir dormir. Acabou se tornando um hábito, tão necessário quanto beber água. Ficar sem ler é impossível para mim.



6 - Soube também que você desenha, isso te ajuda a montar seus personagens?


Muito! Eu tenho um hábito toda vez que leio um livro: na minha cabeça eu imagino os personagens e sinto a necessidade de externar essa imaginação na forma de desenhos. Tenho uma pasta só com desenhos de personagens de livros, muitos mesmo. Dessa forma, quando estou criando um livro faço um “inventário” com desenhos dos personagens. É muito legal fazer isso! A sensação de ver na minha frente o que idealizei na minha mente é muito boa! Apesar é claro de nem sempre o desenho sair igual ao que imaginei, afinal de contas não sou desenhista hehe.


7 - Como foi a participação da sua família no processo de escrita do livro? Eles apoiaram? Você contou com eles nesse processo?


A minha mãe, querendo ela ou não, foi a minha revisora mor. Desde o começo, aliás desde a infância eu leio pra ela minhas redações e todos meus textos pra perguntar se estava legal. Ela foi quem leu o “cru” de Como Folhas Secas. Esse “esqueleto” tinha 150 páginas, estava bem ruinzinho, parecia mais um diário que uma história narrativa. Aceitar as críticas não foi fácil, nunca é, mas eu sabia que era para o meu bem e agora sou grata por isso. Reescrevi parágrafos, capítulos inteiros, arrumei e editei muita coisa, o livro duplicou de tamanho e o resultou final me agradou muito, Depois, quando enviamos o arquivo para a editora, ela me ajudou a revisar e quando recebemos o PDF final revisou comigo também. Meus irmãos e meu pai ficaram bem a margem da situação Hahaha eles não participaram muito, meus irmãos não gostam tanto de ler (o que acho um absurdo) e meu pai não tem muito tempo, mas vibraram comigo quando fui aceita pela Editora. É muito gostoso ter todos participando desse momento.


8 - Pergunta difícil: Qual o seu livro favorito e porquê?


Na verdade é uma pergunta absolutamente fácil de responder. Nem pisco quando tenho que respondê-la. Não importa quantos livros eu leia, por melhores que sejam, eu nunca vou amar nenhum tanto quanto amo O caçador de Pipas. Tem uma série de motivos pra isso e posso dizer alguns logo de cara: foi o primeiro drama que li na vida; a leitura é absurdamente envolvente; a história é maravilhosa e me prendeu em cada página; eu chorei como uma louca do começo ao fim (literalmente desde as primeiras linhas até a última frase). Eu amo histórias sobre irmãos ou amigos de infância, não sei por que, mas amo. E a amizade de Amir e Hassan, o carinho de um pelo outro é uma coisa com a qual não sei lidar. Eu odiei e amei Amir em vários momentos, eu sofri e eu ri com trechos da leitura e em alguns momentos, lendo sozinha no meu quarto durante a noite, ficava tão compenetrada na leitura que não em sentia no meu quarto. Não, eu estava no Afeganistão, estava em Cabul, estava ao lado deles quando as coisas boas e ruins aconteciam. Eu estava naquela sala com Amir (quem já leu ai entender), cruzando os dedos e mordendo os lábios, sentindo a barriga doer de ansiedade para saber o que aconteceria depois. Foi uma leitura intensa e maravilhosa. Apenas amo.



9 - Seu livro é um romance, esse é seu gênero favorito?


Impressionantemente não. Eu amo os dramas, aqueles que me fazem chorar exponencialmente. Também sou apaixonada por livros ambientados na Segunda Guerra Mundial (O menino do Pijama listrado, O menino da lista de Schindler e Dois Irmãos, Uma Guerra que o digam). Livros de aventura, futuro alternativo e fantasia também são extremamente bem vindos. Os romances são sim muitos apreciados pela minha pessoa, mas não são os favoritos. Quer dizer... Eu amo escrever romances, mas ler nem tanto... Faz sentido? Espero que sim.


10 - Quais autores te influenciaram? E quais livros?


Sem pestanejar posso colocar Khaled Hosseini como o meu ídolo máximo. Os livros dele são um deleite e com isso quero dizer: terríveis amostras de como você pode chorar de desidratação lendo um livro. O Caçador de Pipas foi marcante, mas então li A Cidade do Sol e percebi que quando você pensa que esse homem não pode escrever nada mais triste, ele se supera. Em segundo lugar, na verdade brigando pelo primeiro com Khaled está John Boyne. Eu não sei expressar a admiração que tenho por esse homem. A versatilidade dos seus personagens me encanta. Priorizando os narradores masculinos, em cada livro ele é um garoto diferente, num país diferente, com uma idade e uma cabeça diferente e cada personagem é extremamente envolvente. Não existe UM livro dele que eu não ame, mas posso, de longe, por O Garoto no Convés em lugar de prestígio. Eu tão somente amo esse livro. O modo como personagem principal John Jacob Turnistille (Tutu para os íntimos hehe) evolui ao longo da história é fascinante. Há ainda C. S. Lewis, com As Crônicas de Nárnia que é outra paixão minha, tem Suzanne Collins com Jogos Vorazes, Kiera Kass com A Seleção, Veronica Roth com Divergente, Colleen Houck com A Maldição do Tigre, Bem Elton com Dois Irmãos, Uma Guerra, Rick Riordan com o maravilhoso Percy Jackson, John Green com Deixe a Neve Cair e Cidades de Papel, e a maravilhosa Diana Gabaldon com Outlander.


Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais da autora, se você se interessou pelo livro pode encontrar mais informações sobre ele aqui.

Posts Em Destaque
Posts Recentes